Meu Dia Alimentar entrevista: Fernanda Timerman

O Meu Dia Alimentar tem um compromisso com a saúde e alimentação, e por isso tem trabalhado recentemente em uma grande pesquisa para entender o que  as pessoas pensam sobre a Nutrição e qual é o papel do comer em suas vidas.

Nossa primeira entrevistada foi a nutricionista Fernanda Timerman, que é mestre em transtornos alimentares e coordenadora do Genta.

As entrevistas serão transformadas em textos, que  pretendem traduzir a mensagem principal de cada conversa.

Confira abaixo o resultado     >>>

  

Hoje temos um problema de informação, de excesso de informação. Além de sermos bombardeados por mensagens o tempo todo, essas mensagens são controversas.

Fala-se (muito) sobre alimentação, e as pessoas buscam cada vez mais por uma urgência de milagres em suas vidas – emagrecer, emagrecer muito, emagrecer ainda mais..., e mais saúde. Mas parece que a saúde está se confundindo com a estética e vice versa.

E o nutricionista, como fica?

               - Está difícil ser nutricionista hoje em dia... – e está mesmo!

              - Nutricionistas são um dos maiores grupos de risco para transtornos alimentares! – dá pra entender o motivo.

 

Esses profissionais estão cada vez mais angustiados, e precisamos sanar essa angústia. Um bom começo seria achar um discurso mais comum entre os nutricionistas de diferentes linhas como da Nutrição funcional com o da linha comportamental que estão em voga, mas ainda precisam se entender melhor. Unir a parte científica super rica da funcional, levando em consideração todas as questões comportamentais que dificultam seguir e manter uma prescrição a longo prazo, que tal? Nutrição = funcionalidade + individualidade + mudança de comportamento. Parece uma boa ideia!

 Por isso está sendo lançado o movimento Nutrição Comportamental, conhece?

O que diz esse movimento?

Nutrição Comportamental utiliza algumas técnicas já muito bem estudadas e com resultados bem interessantes como o comer intuitivo, liderado pela americana Evelyn Tribole que se baseia em 10 princípios:

REJEITE A MENTALIDADE DA DIETA

HONRE SUA FOME

FAÇA AS PAZES COM A COMIDA

DESAFIE O “POLICIAL DA COMIDA”

RESPEITE SUA SACIEDADE

DESCUBRA UM MOMENTO DE SATISFAÇÃO

HONRE SEUS SENTIMENTOS SEM UTILIZAR-SE DA COMIDA

RESPEITE SEU CORPO E ACEITE SUA GENÉTICA

EXERCITE-SE

HONRE SUA SAÚDE

 

E também se baseia em técnicas do comer consciente, com atenção plena.

(Mas também não pode só querer comer saudável, ao ponto de ser tornar uma obsessão. A tal preocupação excessiva pode até virar um transtorno alimentar bem atual em ainda em estudo, a ortorexia nervosa – síndrome do comer correto).

 

Eai, vamos praticar? E mais que isso, se deixar contagiar pela ideia e compartilha-la.

fernandat

FERNANDA TIMERMAN

QUEM: Nutricionista clínica, mestre em transtornos alimentares pela USP, coordenadora do Genta, dá aulas em curso de pós graduação e faz parte do Manja Gastronomia. 

REFERÊNCIAS: Evelyn Tribole, Brian Wansink, Marle Alvarenga, Jenny O’Dea, Ellyn Satter

O QUE É COMER BEM? “Comer normal é ir para a mesa quando se está com fome e comer até se sentir satisfeito. É ser capaz de escolher alimentos que você goste e comer o suficiente deles – e não simplesmente parar de comer porque você acha que deve. Comer normal é se permitir comer por às vezes estar feliz, triste ou entediado, ou apenas por se sentir bem. Comer normal é mais que três vezes ao dias, ou quatro, ou cinco, ou o que você escolher. É deixar no prato alguns biscoitos porque você sabe que pode comer mais amanhã, ou é comer mais agora porque eles estão deliciosos. Comer normal é comer demais às vezes, se sentir estufado e desconfortável. E pode ser comer de menos desejando ter comido mais. Comer normal é confiar no seu corpo para compensar seus erros na alimentação. Comer normal demanda um pouco de seu tempo e atenção, mas ocupa o tempo se somente uma das áreas importantes da sua vida. Resumindo, comer normal é flexível. Varia conforme sua fome, sua agenda, seu acesso à comida e seus sentimentos” – Ellyn Satter